Umas mãos, Uma vida
Escrito por Vítor Brito, do blogue Vila Cova no seu Melhor
Se gostou deste texto, vote nele na barra lateral de 28 a 30 de Novembro. Aproveite para comentar. Quem sabe, é seleccionado para melhor comentário!
(Imagem retirada da Internet)
O Magusto é sempre uma festa popular, Cujas maneiras de o celebrar variam um pouco consoante as tradições regionais. É tradição juntarem-se grupos de amigos e famílias à volta de uma fogueira normalmente ao ar livre onde se vai assando castanhas para comer, bebe-se água -pé, vinho novo e jeropiga, cantam-se cantigas , as pessoas enfarruscam-secom as cinzas, fazem-se brincadeiras, tudo na maior alegria. Quando aparece uma castanha "parida", é oferecida uma das partes a outra pessoa ficando assim a ser compadres. Uma tradição na minha aldeia ainda sendo hoje usada pelos mais velhos.Embora o magusto seja normalmente realizado em dias festivos, é tradição em dia de todos os santos e São Martinho haver magusto colectivos e familiares em todo o nosso Portugal. Antigamente na minha aldeia era motivo de pretexto para os mais jovens nas tardes de domingo em época de castanhas fazerem o magusto para se poderem reunir e divertir à volta do lume feito com caruma dos pinheiros, com que assavam as castanhas. Uns ocupavam-se de ir apanhar a caruma , outros ofereciam castanhas e outros levavam a água-pé ou a jeropiga, e assim se passava uma bela tarde de domingo que muitas vezes terminava com um bailarico pela noite dentro.Reza a lenda que, em dia tempestuoso ia São Martinho, soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante, São Martinho não hesitou: Apeou-se do cavalo com a sua espada cortou ao meio a sua capa de militar e de imediato deu metade ao mendigo. E apesar de mal agasalhado sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho cheio de felicidade. Mas subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido um sol brilhante inundou a terra de luz e calor. Para que não se apaga-se da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, quis Deus que todos os anos nessa mesma época, e por alguns dias, o tempo frio para-se, e que o Céu e a terra sorrissem com a benção dum sol quente e miraculoso. É o chamado Verão de São Martinho. E que eu como já é costume deslocarme-ei a Góis minha terra natal para participar nas festas do dia de Todos os santos e celebrar a tradição de estar presente com a família no tradicional magusto colectivo, uma simpatia da Camara Municipal de Góis e produtores locais de castanha.
Na minha família sempre se fez este "ritual" já secular de se reunir á volta da fogueira, comer as castanhas, carne de porco grelhada, chouriço assado e beber Jeropiga.Como a minha familia materna reside na Beira Alta, mais própriamente em Figueira de Castelo Rodrigo, sempre tive castanhas por esta altura.Mesmo morando em Lisboa desde pequena fazemos o Magusto, só que agora não se faz à volta da fogueira, cozo castanhas e asso no forno ou num recipiente próprio, mas era muito mais engraçado quando eu era menina, estarmos todos reunidos em frente das lareiras ou mesmo no campo, vendo o lume a arder e depois num tacho ou panela velha furada, colocáva-mos as castanhas, ou metiam-se no meio das brasas, quando não se tinha tacho.Ainda me recordo muito bem de fazermos isso em Lisboa num lugar que no passado parecia ser muito longe, pois era um pouco fora da cidade e que hoje já nem percebemos onde fica, pois são tantas as casas e prédios feitos á volta de Lisboa que os terrenos de campo e de trigo com o seu cheiro a terra húmida, já nem existem.Na Vila de Figueira de Castelo Rodrigo ainda se pode fazer um Magusto como manda a tradição, mas como tenho de acompanhar os filhos na escola e o marido tem de trabalhar, nunca vou por esta altura a Figueira, por muito que gostásse.Quem sabe quando formos mais velhos e os filhos já não precisarem de nós.Só que já não será a mesma coisa porque muitos já não existirão e a dita Família que se reunia á fogueira, não passará de 2 ou 3 pessoas.Mas é assim a vida uns partem no Outono da vida, outros ficam para o Inverno.
Agora, falamos de um duelo de titãs entre uma grande mulher “habituée” da Aldeia e um admirável homem “membro” há pouco tempo. A organização teve muitas dificuldades em atirar a luva branca e parar essa disputa, tendo ela própria entrado em discórdia várias vezes. Qual dos dois seria o eleito? O júri acabou por pegar na espada do Rei Artur e trinchou a escolha sem dó nem piedade. O comentário escolhido resume na perfeição o tema da Blogagem e o propósito constante da própria Aldeia – que é a divulgação do nosso recôndito Portugal. O Prémio de Melhor Comentário vai para: Acácio Moreira! Não hesite, amigo Acácio, deixe algumas horas Carvalhal do Sapo, e suba até Viseu, ao Restaurante Greens.
Visualizamos então o premiado comentário:
Acácio Moreira disse...
Convenceu-me, não só pelos sabores deliciosos de que nos fala, como também pela sorte de poder dizer tenho três terras, que maravilha é tão bom poder viajar dentro deste nosso querido Portugal. Assim com a particularidade de poder conhecer, e apreciar com mais facilidade a tão variada e rica culinária desta nosso cantinho à beira-mar plantado.Parabéns pelo bom gosto, nos sabores com que nos presenteou. Começando pelo Alentejo com uma gastronomia tão rica de sabores tão variados, aos bons mariscos e peixes da Ericeira, tudo muito bom.Quanto aos Açores, não conheço, mas adoro os queijos que nos chegam de lá.Gostei do texto... para além de bem conseguido, cheio de lembranças, que bem gostamos de recordar. Um abraço.
Queremos louvar também a participação a todos os níveis das bloguistas: Dina, Alcinda Leal, Manuela e Pascoalita. Assim como realçar os escritos de “recém-habitantes” da Aldeia: Vítor Chuva, Maria Besuga e A.J. Soares.
Agora, o momento pelo qual todos anseiam. Votação considerada, comentários contados (os das colaboradoras da Aldeia e os dos autores dos textos nos seus respectivos não contavam, claro) e qualidade estudada, o júri avaliou e proclamou para o Prémio de Melhor Texto – com 84 votos (46%) e 53 comentários apurados:

DEBULHO DE SÁVEL
de Fernanda Ferreira
Amiga Fernanda, o Minho sentir-se-á só por uma noite, por a cidade de Viseu terá o prazer de a receber no Restaurante Torre Di Pizza.
A Olho de Turista felicita os premiados e agradece a todos pela participação e partilha de experiências, seja como autores, comentadores e/ou votantes.
Pedimos aos premiados que enviem os seus dados (nome e BI) para o mail aminhaldeia@sapo.pt por causa dos respectivos prémios.
Desejamos a todos Felicidades!
(imagem retirada da Internet)
Comer por obrigação era um grande frete. Ter que comer aquelas coisas verdes esquisitas que chamavam de sopa, gramar o sabor da carne, com aqueles nervos que insistiam em prender-se nos dentes ou aquelas espinhas minúsculas das sardinhas, não era comigo, especialmente quando era obrigada pelas freiras do externato… Sempre que podia fugir à refeição consolava-me com o meu pãozinho com manteiga e não dispensava uma boa gulodice (e quem não fez em criança?). Lembro até de pensar que queria ser como os anjos, pois contavam que eles não precisavam de comer, como nós. Por isso quando fui para a escola, era a “Trinca espinhas “, com apenas 14 Kg.

Livro Virtual - Colectânea de textos de Blogagem Colectiva
Um fim de semana para 2 pessoas na Pousada de Monsanto.
Para saber mais sobre a Pousada de Monsanto, clique aqui.
O premiado do mês de Junho: Jorge Reis, com o texto Ouguela
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